Guaraí - Tocantins - Brasil, Sábado, 04 de Setembro de 2010

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Revista Eletrônica Grite

A Revista Eletrônica GRITE será um veículo de divulgação técnico-científica (artigos e comunicações científicas, artigos de revisão, notas técnicas, casos, monografias, dissertações e teses) do Instituto IDESA, de circulação eletrônica, quadrimestral, de trabalhos originais e inéditos resultantes de pesquisas ligadas às tríplices áreas: o econômico, o social e o ambiental.

Missão

Divulgação técnico-científico que contribuam para a expansão do conhecimento econômico, social e ambiental.

Objetivo

Disseminar o conhecimento científico sobre as tríplices áreas, o econômico, o social e o ambiental, produzido no Brasil e no exterior,por meio eletrônico a todas as organizações civis, públicas e privadas na realização de suas ações para o desenvolvimento sustentável local e mundo.

Corpo Editorial da Revista Eletrônica GRITE:

Editor-Chefe
Dr. Edvaldo Vieira Pacheco Sant´Ana

Editor Assistente
Phd Evaldo Pacheco Sant´Ana

Secretaria Executiva
Weder Ferreira dos Santos

Editores às Tríplices Áreas
Esp. Arely Soares Carvalho Telles
Esp. Leonice Teles dos Santos
Esp. Sílvia Maria Soares Carvalho Sant´Ana
Ms. Raimundo Cavalcante Maranhão Neto

Informações sobre o GRITE:

O GRITE (Grupo Estratégico de Inovações Tecnológicas) é uma equipe multidisciplinar que visa o desenvolvimento de programas estratégicos de inovações tecnológicas que contemplam as áreas no âmbito econômico,social e ambiental, consequentemente, a captação de recursos, a elaboração e a implantação de projetos do Instituto IDESA.

O GRITE surge de forma a se integrar a demais áreas do saber do Instituto IDESA devido ao alto grau de especialização da equipe envolvida, gerando máxima eficiência nas operações, e estímulo ao desenvolvimento de novas técnicas de gestão, ensino, pesquisa e extensão. A equipe é constituída de Coordenadores, Supervisores e Colaboradores associados ou parceiros do Instituto IDESA, como: ONG’s,entidades públicas e/ou privadas e demais classes organizadas da sociedade reconhecida.

 

Treinando parcerias setoriais

Por Ricardo Voltolini *

Umaanálise do investimento social privado brasileiro, especialmente dosúltimos sete anos, indica que muitas empresas têm preferido colocardinheiro em projetos próprios em vez de apoiar os de organizaçõessociais. Para tanto, algumas criam fundações e institutos, eestabelecem orçamentos específicos. Outras atribuem a um departamentointerno – quase sempre ligado às áreas Comunicação, RelaçõesInstitucionais ou Responsabilidade Social - a tarefa de planejar ecoordenar projetos sociais, atendendo a uma lógica muito peculiar degestão das suas ações voltadas para comunidades.

Diantedesse fato, duas leituras são possíveis. Vale começar pela maisotimista. Ao contrário do que imaginavam, nos anos 1990, os maiscéticos, o investimento social privado já não pode ser considerado umanuvem passageira. Estudos recentes mostram ampliação no volume derecursos e uma melhoria da qualidade metodológica, do alcance e doimpacto das ações. Pouca gente hoje duvida de que o interesse por essaprática incorporou-se às estratégias institucionais, tornando-se parteimportante da agenda das empresas socialmente responsáveis. Como partedesse processo de evolução, o investimento social privado subiu váriosdegraus. Deixou de se basear em ações pontuais, tópicas e meramentecompensatórias para se transformar em políticas de intervenção nascomunidades, planejadas para atingir resultados de mudança social.

A preferência pelos projetos próprios pode ser vista, a princípio, comoum bom indicador. Se uma companhia sabe o que deseja a ponto deselecionar uma linha de projetos sociais, é porque a cultura internahoje favorece, confere valor e relevância estratégica a este tipo deinvestimento. Uma segunda análise, no entanto, deve ser considerada.

A opção por projetos próprios parece revelar uma dificuldade dasempresas em estabelecer relações de parceria com organizações deterceiro setor. O contrário também é verdadeiro. Este embaraço decorre,quase sempre, de uma relação marcada por reservas de parte a parte.Fora do discurso politicamente correto, muitos dirigentes de empresasadmitem resistir à idéia de dividir a realização de seus projetossociais com organizações, por julgarem que elas não fazem boa gestãodos recursos (por falta de competência ou transparência) e sãoinflexíveis em relação à empresa, não ouvem as suas opiniões e a tratamcomo mera provedora de financiamento.

Entre as organizaçõessociais, a resistência não é menos contundente. Sua origem está napreocupação de serem “controladas” pelas empresas, transformando-se emsimples executores de políticas de investimento social privado paracuja elaboração não colaboraram.

As desconfianças de cadauma das partes são justificáveis, apesar de baseadas em lógicasparciais, generalizações indevidas e falta de prática de parceria –nunca é demais lembrar que o modelo de aliança interesetorial ébastante recente no Brasil. Curiosamente, o temor de empresas eorganizações se mostra simétrico e têm a ver com a limitação do papelespecífico ante o papel do outro. Esses dilemas, recorrentes, só serãoultrapassados quando houver melhor diálogo, mais tolerância e maiorcapacidade de compreender expectativas.

Empresas quedesejam ser mais ouvidas devem, ante de mais nada, aprender a ouvir,substituindo os tradicionais modelos autoritários de tomadas de decisão--do tipo comando-controle – por outros mais cooperativos. Uma relaçãomais tolerante deve nascer da constatação de que o melhor investimentosocial ocorrerá sempre que as dimensões do privado, do público e dopúblico-privado atuarem em sinergia de propósitos.

Para queidéias como esta não empaquem, cada uma das partes deve repensar seuscomportamentos. Não é necessário, por exemplo, que empresas reinventema roda na busca de soluções. Muitas delas já foram criadas e testadaspor organizações sociais com a vantagem de terem surgido dediagnósticos muito mais próximos da realidade social de comunidades.Por mais competente e bem intencionada que seja uma empresa, ela jamaisterá inserção comunitária igual à de uma organização nascida nacomunidade. Manda o bom senso, portanto, que as corporações escolham oparceiro certo e, junto com ele, realizem diagnósticos corretos,definam metas e estratégias de atuação e estabeleçam indicadores paraavaliar os resultados.

Se quiserem ser mais do que executorasde serviços, as organizações sociais devem mudar o foco de suasabordagens. Em vez de apenas captarem dinheiro para seus projetos,precisam identificar nas empresas parceiros potencialmentecompromissados com a solução dos problemas dos públicos que desejambeneficiar. De modo pragmático, devem aceitar mais o diálogo,permitindo-se rever posições a partir da interação com o financiador enegociar, com mais flexibilidade, pontos que atendam expectativas semdescaracterizar a essência da ação.

* Ricardo Voltolini épublisher da revista Idéia Socioambiental e diretor da revistaSocioambiental e diretor da consultoria Idéia Sustentável.
Endereço eletrônico: ricardo@ideiasocioambiental.com.br